Em tons de vermelho
Meu amor tava superlativo.
Eu dizia com o coração inchado, por tão lírico:
-nunca vi dedos com tanta perfeição, nas unhas e juntas.
Chalanas também me preocupavam
por conservar por elas um amor ancestral
impermeável, como pelos navios.
Sensações solares, níveas de cais e de sede
se ajuntavam em mim, por tudo.
À título de honra,
guardava-me em cadeira maciça
ao invés da janela
em ansioso horário vespertino.
Chega, Antônio, depressa!
que tem caldo quente
mingau pro seu resfriado
e eu, com cabeleira e dois sonetos decorados
com atenção de veludo
e garganta à licor.
Mantenho em haste
suplícios por noites-bem-dormidas
sem que me flagelem o medo
de que sua tosse seja ritmada,
tudo por precaução do meu sossego
que foge desde seu pescoço e orelha.
Com voz caprichada
permaneço em redundância de frases em vermelho-doce.
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