Gênesis
Por motivo de juízo
mantinha as janelas pôuco abertas
pro vento entrar fino
e não desfazer canto de toalha certo.
-Ainda não escolhi uma profissão,
acho sério demais pra minha idade,
Berenice justificava antes dos trinta.
Por não ser mãe, me sentia infértil
com cabelo, molares e unhas sem utilidade.
As côisas de faz tempo
eram guardadas e pregadas na parede.
Este retrato é triste, se vê pelo bigode
pelo paletó e pela gola do vestido dela,
que segurava ares mórbidos.
Por vezes, fazia de panela, vaso de flôr
ditando as articulações pesadas.
Mas sempre tinha aderência
e nem reclamava
pedindo ao dia minutos pacientes.
Depois do domingo
a respirar difícil
fico querendo voltar a ser barro.
Que texto!
ResponderExcluirSenti vontade de também voltar a ser barro...
Abraços, menina. Adorei o blog e seus poemas!
Eu adorei o espaço. Um poema tão bem construído com o relato de uma saudade e bem lá no fundo uma solidão saborosa... talvez a necessidade de ser barco para navegar outros sonhos...
ResponderExcluirAbraços