segunda-feira, 27 de agosto de 2012


Epiderme

Des’que Adélia se foi
as noites são de chás,
sem letras hedonistas
p’amenisar as pálpebras
e as palpitações cardíacas
em tórax de Adão degredado de Eva.
Corujas voam,
estrelas cantam
e as palmeiras bailam imperativas
suas liberdades imperiais.
Aves noturnas
d’asa podada,
goela engasgada
e pena desbotada
rogam da torre do sino
chá de melissa no bico
e flor de laranjeira pr'os ninhos.
Ave canção de ninar
cabeça debruçada n’colo
perfumado de macela
de dedos finos
de pontas macias
qual algodão de barriguda
anunciando cigarras
de cantar dia interim
quando amanhecer setembro.

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